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| ::: MELHORES 2002 - Arte e resistência na festa da APCA ::: |

JOÃO LUIZ SAMPAIO
O Estado de São Paulo - Caderno 2
Publicado, quarta-feira, 26 de março de 2003

Cerimônia no CCBB foi marcada por discursos pela paz e contra o descaso cultural

Foram entregues na noite de segunda-feira no Centro Cultural Banco do Brasil os prêmios para os melhores de 2002 segundo os membros da Associação Paulista de Críticos de Artes. O tom da cerimônia foi dado logo de cara, no discurso do presidente da APCA, o crítico Luiz Carlos Merten, que falou sobre o compromisso da arte contra a barbárie. "Quando selecionamos os melhores também estamos nos manifestando contra a guerra, enxergando a arte como um instrumento", disse. O que se viu, na seqüencia, no palco do teatro do CCBB, foram manifestações não apenas contra a guerra no Iraque, mas também da história de uma outra luta, pela sobrevivência dos artistas brasileiros e de seus trabalhos.

Foram premiados artistas e personalidades de nove categorias - artes visuais, cinema, dança, literatura, música, rádio, teatro, teatro infantil e televisão. Marina Person, que recebeu o prêmio de melhor programa por Meninas Veneno, e o jornalista Chico Pinheiro apresentaram a cerimônia.

Pinheiro, na verdade, substituiu o colega William Bonner, detentor do troféu de melhor apresentador do ano, que mandou seu agradecimento gravado em vídeo. "Tenho mais um motivo, agora pessoal, para abominar o conflito no Iraque, que me impede de deixar a redação. Mas meu prêmio é resultado de um trabalho de equipe e, em respeito a meus colegas, não poderia deixá-los sozinhos agora", disse.

Bonner foi o primeiro dos premiados a se manifestar contra a guerra.

Carlinhos Rodrigues, que recebeu o prêmio de melhor ator de teatro infantil, por Candim, dedicou seu prêmio "aos meninos de pés descalços" como Cândido Portinari. "Se a arte chegar a essas crianças, não haverá mais guerras." O escritor Plínio Cabral (melhor romance) definiu a arte como um "canto à vida, à esperança". "E é este canto que suplantará os horrores da guerra."

Já o radialista Flávio Prado dedicou seu prêmio (melhor programa de variedades no rádio) ao "bebê que foi mostrado pela TV, sendo machucado pelas forças norte-americanas". Outros vencedores, como Marco Nanini (melhor ator de televisão) e Magali Biff (melhor atriz de teatro infantil) também manifestaram seus desejos de paz.

Estímulo - Alguns vencedores da noite fizeram questão de ressaltar a importância que o prêmio da APCA tem em um momento em que o reconhecimento à arte e a cultura é posto em xeque ou, como disse Pasquale Cipro Neto (melhor programa de cultura no rádio), citando Itamar Assumpção. "Porcaria na cultura, tanto bate até que fura."

Edith Derdyk, uma das vencedoras da categoria de artes visuais, disse que o prêmio "dá um sentido de pertinência, de que o nosso trabalho pertence a um lugar e a um momento". Kika Antunes, falando pela companhia As Meninas do Conto (grande prêmio da crítica de teatro infantil), lembrou que desde 95 trabalham sem "um tostão". "Montamos as peças porque acreditávamos e este é o nosso primeiro reconhecimento. Queremos mostrar que teatro infantil é teatro, pode ser significativo e importante como qualquer outra manifestação artística." Paulo Bezerra (melhor tradutor) agradeceu o reconhecimento pela sua luta, "que é uma luta pela palavra do outro".

Cristiane Paoli-Quito, da Cia. Nova Dança 4 (melhor concepção de dança), ressaltou o propósito do trabalho da companhia, que busca a "diversidade, em meio à adversidade". Siegried Noran (prêmio estímulo pela Cia. Municipal de Danças de Caxias do Sul) afirmou que a distinção da APCA é um estímulo à dança gaúcha.Geronino Barbosa (prêmio da Ação Social por meio do rádio pela atuação da Rádio Heliópolis) disse estar honrado pelo reconhecimento ao trabalho de sua equipe "que ajuda cerca de 100 mil habitantes, que sabem seus deveres para com a sociedade, mas muitas vezes precisam ser informados de seus direitos".

Emoção - Um dos momentos mais emocionantes da noite foi o discurso do ator Dan Stulbach, que leu uma carta "escrita por mim a mim mesmo" na década de 80, após assistir a uma premiação da APCA na qual participava o ator Paulo Autran. "Naquele momento, esperava que um dia subisse ao palco para receber este mesmo prêmio e saberia, então, que seria um ator."

Outros momentos importantes da noite foram a subida ao palco do elenco da minissérie Cidade dos Homens (grande prêmio da crítica de televisão), o pocket-show da cantora Maria Rita Mariano, que antecedeu a cerimônia, e a entrega do prêmio de revelação para a atriz mirim Stefhany Brito, que representou também a colega de novela Eliane Giardini, em gravação na Globo e eleita a melhor atriz por sua participação em O Clone.

A festa da APCA contou com o apoio da revista Quem Acontece, da Editora Raiz, da casa de vinhos Salton, RLC e do Coffee Studio.

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Lista completa com premiados Melhores de 2002 APCA.

CRÍTICA DA CRÍTICA

O Ciclo de debates a Crítica da Crítica foi uma ação conjunto da APCA e do Centro Cultural Banco do Brasil, realizado em 2001. Sua proposta foi a de radiografar e atualizar o papel da crítica, este vaso comunicante entre a arte e o público.

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