inicio Premiados 2013 Associados Premiados 2012 Diretoria APCA - eleiçãoAPCA ELEGE OS MELHORES DE 2013 Em assembleia que reuniu 52 críticos no Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo na noite da última segunda-feira, 9 de dezembro, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) escolheu os melhores de 2013 nas seguintes categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Música Erudita, Rádio, Teatro, Teatro Infantil e Televisão. A cerimônia de entrega a todos os artistas contemplados nesta 57ª. Edição do Prêmio APCA acontecerá em março de 2014, em data a ser divulgada, no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Segue a relação dos premiados: ARQUITETURA Homenagem pelo conjunto da obra: Carlos A. C. Lemos Melhor obra: Biblioteca Brasiliana Mindlin – Autores: Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb Obra referencial: Centro Paula Souza – Autores: Pedro Taddei e Francisco Spadoni Registro de arquitetura: Nelson Kon Fronteiras da arquitetura: Bom Retiro 958 metros – Autores: Guilherme Bonfanti (luz) e Carlos Teixeira (direção de arte) Promoção à pesquisa: Concurso Estação Antártica Comandante Ferraz/ SECIRM – Secretaria da Comissão Interministerial para Recursos do Mar/ Secretário Geral Contra-Almirante Marcos Silva Rodrigues Urbanidade: Conjunto Residencial Jardim Edite – Autores: MMBB Arquitetos (Marta Moreira, Milton Braga e Fernando de Mello Franco) e H+F Arquitetos (Eduardo Ferroni e Pablo Hereñú) Votaram : Abílio Guerra, Fernando Serapião, Guilherme Wisnik, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira Camargo, Nadia Somekh e Renato Luiz Anelli. ARTES VISUAIS Grande Prêmio da Crítica: Maria Martins – Metamorfoses - MAM Exposição Internacional: Mestres do Renascimento - CCBB Exposição: Waldemar Cordeiro – Itaú Cultural Multimídia: William Kentridge – Pinacoteca do Estado Fotografia: Sebastião Salgado – Sesc Belenzinho Retrospectiva: Antonio Henrique Amaral – Pinacoteca do Estado Homenagem: Walter Zanini Votaram: Antonio Santoro Jr., Antonio Zago, Dalva Abrantes, João Spinelli, José Henrique Fabre Rolim, Luiz Ernesto Machado Kawall, Marcos Rizolli e Paulo Klein. CINEMA Filme: O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho Prêmio Especial do Júri: Esse Amor que nos Consome, de Allan Ribeiro Diretor: Kleber Mendonça Filho, por O Som ao Redor Roteiro: Hilton Lacerda, por Tatuagem Ator: Rodrigo Garcia, por Tatuagem Atriz: Denise Fraga, por Hoje Documentario, O Dia que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares Votaram : Orlando Margarido, Rubens Ewald Filho e Walter Cezar Addeo DANÇA Grande Prêmio da Crítica: 50 Anos de Dança Moderna, de Ruth Rachou Pesquisa em Dança: Grupo Proposição, pela investigação continuada Bailarina Revelação: Alda Maria Abreu, do Taanteatro, por “Androgyne Sagração do Fogo” Projeto Artístico: “O Confete da Índia”, de André Masseno Criação em Dança: “Projeto Propulsão/O que faz Viver-parte 2: Seguinte”, da Keyzetta e Cia. Criadora-Intérprete: Maria Paula Rego Monteiro, pelo solo “Terra”, do Grupo Grial Bailarino: Luciano Fagundes, por “Húmus”, da Companhia Antônio Nóbrega Votaram : Ana Teixeira, Flávia Couto, Helena Katz, Joubert Arrais, Katia Calsavara eRenata Xavier LITERATURA Grande Prêmio da Crítica: “Toda Poesia”, de Paulo Leminski (Cia. das Letras) Romance: “Lívia e o Cemitério Africano”, de Alberto Martins (Editora 34) Ensaio/Crítica/Reportagem: “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex (Geração Editorial) Infanto-Juvenil: “As Gêmeas da Família”, de Stella Maris Rezende (Globo Livros) Poesia: “Rabo de Baleia”, de Alice Sant’Anna (Cosac Naify) Contos/Crônicas: “Garimpo”, de Beatriz Bracher (Editora 34) Tradução: “A Anatomia da Melancolia – Volume IV – A Terceira Partição - Melancolia”, de Robert Burton. Por Guilherme Gontijo Flores. (Editora UFPR) Biografia/Memória: “Norberto Bobbio: Trajetória e Obra”, de Celso Lafer (Editora Perspectiva) Votaram : Amilton Pinheiro, Gabriel Kwak, Gustavo Ranieri, Luiz Costa Pereira Junior e Ubiratan Brasil MÚSICA POPULAR Grande Prêmio da Crítica: Ângela Maria Grupo Vocal: Aindaessência Grupo de Rock: Selton Intérprete: Emicida Compositor: Arnaldo Antunes Projeto Especial: Terruá Pará Revelação: Anitta Álbum:–“Antes que Tu Conte Outra” - Apanhador Só Votaram: Inês Fernandes Correia, José Norberto Flesch e Marcelo Costa MÚSICA ERUDITA Grande Prêmio da Crítica: Aylton Escobar - compositor Conjunto da obra: Maria Helena Rosas Fernandes - compositora Personalidade: Edino Krieger Projeto Musical I : Semana Eleazar de Carvalho – Concurso Anual Jovens Solistas Projeto Musical II: Sérgio Bittencourt Sampaio e sua Pesquisa Musicológica em Livros Obra vocal: Ópera “O Menino e a Liberdade”, de Ronaldo Miranda Prêmio Especial: Centro de Integração Documentação e Difusão Cultural – Unicamp na pessoa de Denise Garcia Menções honrosas: I) Série Radiofônica de 13 programas (Cultura FM), por Samuel Kerr - Seminários de Música da Pró-Arte II) Coral Paulistano sob a regência de Thiago Pinheiro Votaram: Eduardo Escalante, Léa Vinocour Freitag e Luís Roberto A. Trench RÁDIO Grande Prêmio da Crítica: 89 FM – pelo retorno da Rádio Rock Internet: Rádio Sarau – www.radiosarau.com Musical: Ricardo Corte Real – Programa Jazz Caravan – USP FM e Educativa FM de Rio Preto Revelação: Programa João Carlos Martins – Cultura FM - SP Humor: Band Coruja – Band FM Prêmio Especial do Juri: Roberto Carmona – Transamérica FM – pelos 50 anos de reportagem esportiva Variedades: Panelinha – Rádio Estadão AM/FM Votaram : Fausto Silva Neto, Marco Antonio Ribeiro e Sílvio Di Nardo TEATRO Grande Prêmio da Crítica: Maria Thereza Varga (pela brilhante trajetória profissional de pesquisadora teatral e pelo livro “Cacilda Becker – Uma Mulher de Muita Importância””) Espetáculo: Nossa Cidade (CPT – direção de Antunes Filho) Diretor: Dagoberto Feliz (espetáculo “Folias Galileu”) Autor: Kiko Marques (por “Cais, ou da Indiferença das Embarcações”, da Velha Companhia) Ator: Cássio Scapin (por Eu Não Dava Praquilo) Atriz: Débora Falabella e Yara De Novaes (Por “Contrações”) Prêmio Especial: Projeto Baú de Arethuza (“Cia. Os Fofos Encenam) Prêmio Especial: Eva Wilma (60 Anos de Carreira) Homenagem a Artistas Falecidos – Cleyde Yaconis, Fauzi Arap e Enio Gonçalves Votaram : Afonso Gentil, Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha, Edgar Olímpio de Souza, Erika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, Maria Eugênia de Menezes, Miguel Arcanjo Prado e Vinício Angelici TEATRO INFANTIL Grande Prêmio da Crítica: A Rainha Procura (Cia. do Quintal) Melhor Espetáculo de Animação/Bonecos: Cocô de Passarinho (Cia. Noz) Melhor Espetáculo de Dança Para Crianças: Uma Trilha para sua História (direção de Gustavo Kurlat) Melhor Espetáculo de Rua Para Crianças: Mário e as Marias (Cia. Lúdicos) Melhor Espetáculo Musical para Crianças: Empate entre ‘Operilda na Orquestra Amazônica(Oásis Produção, dir. de Regina Galdino) e ‘Menino Lua’ (dir. Fernanda Maia) Melhor Espetáculo para Jovens: Lampião e Lancelote (dir. Débora Dubois) Votaram : Dib Carneiro Neto, Gabriela Romeu e Mônica Rodrigues da Costa TELEVISÃO Série: “Latitudes”, (TNT/YouTube – produtora Los Bragas) Atriz: Bianca Comparato (“A Menina Sem Qualidades”/MTV Brasil e “Sessão de Terapia”/GNT) e Elizabeth Savalla (Amor à Vida/TV Globo) Ator: Mateus Solano (Amor À Vida/TV Globo) Direção: Felipe Hirsch (A Menina Sem Qualidades/MTV Brasil) Programa de Variedades: Amor e Sexo (TV Globo) Programa Jornalístico/Documentário: Presidentes Africanos (Band/Discovery - produtora Cinegroup) Programa Infantil: Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas (Cartoon Network – produtora Glaz) Menções Honrosas: I - Canal Arte 1 (Iniciativa Grupo Band) e II - “Sai de Baixo” (Reunião - 4 novos Episódios – Canal Viva) Votaram : Alberto Pereira Jr., André Mermelstein, Cristina Padiglione, Edianez Parente, Fernanda Teixeira, João Fernando, Keila Jimenez, Leão Lobo e Paulo Gustavo Pereira.
“30a. Bienal, uma visão parcial” José Henrique Fabre Rolim jhenriquefabrerolim@hotmail.com A Bienal de São Paulo em suas trinta edições desde 1951, mais de seis décadas de existência reflete todas as transformações ocorridas na arte, revoluções marcantes que delinearam novos conceitos e horizontes. A grande mostra “30X Bienal – Transformações na Arte Brasileira” aberta recentemente no pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, faz um corte dessas décadas que revelaram linguagens e confrontos expressivos, a partir do concretismo passando pela abstração informal, pela pop arte, pela arte conceitual e por tantos movimentos que foram decisivos para a modificação da cena artística brasileira nesses últimos tempos. Uma das forças motrizes da Bienal é a concretização dos intercâmbios artísticos com o que acontece no mundo. Reunindo 250 obras de 111 artistas posicionados nos dois últimos pisos do pavilhão da Bienal, após uma seleção difícil feita pelo curador Paulo Venâncio Filho. As exclusões não agradaram a vários participantes das Bienais. Deve-se frisar que foram mapeadas 5.800 participações brasileiras ao longo de todas as edições, algumas, aliás, bem polêmicas. Sintetizar um percurso complexo repleto de confrontos e distorções históricas não é uma tarefa simples, pois, na realidade se concentrar somente nos artistas brasileiros que sofreram influencia da tantos expoentes da arte internacional presentes no decorrer das trinta edições da Bienal deveria ser o resultado de uma pesquisa bem profunda. A atual mostra ficou na superfície, vários nomes representativos de períodos marcantes foram esquecidos, e mesmo capítulos especiais como a Grande Tela na 18º Bienal (1985) ou a magnífica sala de arte correio (mail art) que aconteceu na 16º Bienal (1981), ocupando uma área enorme, metade de um piso, tendo como curador Julio Plaza, com três mil metros de parede, sendo paulatinamente preenchidas à medida que as cartas chegavam, respondendo ao convite da Bienal, aliás, um movimento importante que deslanchou na busca de novas linguagens. Pretendendo dar um sopro vital na memória artística, a atual mostra trouxe obras expressivas como a instalação “Ondas das Paradas da Probabilidade” (1969) de Mira Schendel , um dos grandes destaques do evento. Outra obra que causa impacto é a “Bolha Amarela”, inflável de Marcelo Nitsche, exposta na 10º Bienal (1969), localizada logo na entrada. A montagem arquitetônica da mostra teve Felipe Tassara como responsável que optou por uma linha mais aberta ao mesmo tempo realçando a arquitetura de Niemeyer que em certos ângulos concorre magistralmente com as peças expostas. Pensando bem a mostra faz um resumo bem restritivo do passado da Bienal, fica uma sensação da algo incompleto, sombreado por um vazio que já fez parte de uma temática anterior. A exuberância dos anos 50, a revolução dos anos 60, a contestação dos anos 70, a agonia dos anos 80, a retomada dos anos 90, os críticos confrontos das primeiras décadas dos anos 2000, não ecoam com a devida força, predomina uma releitura pausada que pouco acrescenta. O visitante percorre a mostra ao fluir de uma poética inflada por valores consagrados, a maioria com uma obra, outros com criações que causam uma atração especial como no caso de Regina Silveira e Lucia Koch. Enquanto certos valores como Hélio Oiticica e Lygia Clark se destacam pelo caráter visionário de suas obras que transformaram a linguagem e influenciaram várias gerações. As obras de Maria Martins, Antonio Dias, Amilcar de Castro também se destacam no conjunto geral como tantas outras, além é claro dos primorosos concretistas posicionados na sala climatizada do terceiro piso. No catálogo, porém, as agitadas fases vivenciadas pela Bienal ficam mais destacadas com uma série de textos críticos que espelham os debates e as discussões de rumos e temas polêmicos sugeridos no decorrer das décadas. Conclui-se, portanto, que mesmo com as falhas ou faltas, a mostra deve ser visitada e analisada, uma ótima oportunidade de rever períodos inesquecíveis, problemáticos, polêmicos, poéticos, contestadores, buscando os detalhes e preenchendo as lacunas, talvez uma interação a revelar na memória de cada apreciador a complexidade do ser humano refletida sempre na criatividade artística. As releituras são essenciais para se compreender o passado e avançar no presente, a arte tem um grande potencial na interpretação de um momento histórico, em termos pessoais ou universais, cabe a cada um encontrar seu caminho, religar os ícones revolucionários artísticos e desfrutar de um prazer analítico, observando as transformações estéticas, conceituais e poéticas de um mundo que se expande ao romper as fronteiras.